Prefeitos de municípios baianos têm demonstrado preocupação com o aumento dos custos para realização das festas de São João e defendem a criação de critérios que ajudem a equilibrar os gastos com atrações artísticas. O tema foi discutido durante uma coletiva realizada nesta terça-feira (20), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador.
A principal preocupação dos gestores está relacionada ao crescimento significativo dos cachês de artistas, além do aumento nos custos de estrutura, como palco, iluminação e sonorização. Diante desse cenário, os prefeitos sugerem a construção de parâmetros ou até mesmo um possível tabelamento de valores, especialmente para ajudar cidades de pequeno porte.
O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou a necessidade de diálogo com órgãos de controle, como Ministério Público e Tribunal de Contas dos Municípios, para buscar soluções que tragam mais equilíbrio às administrações públicas.
Segundo ele, a definição de referências para contratação pode evitar distorções e dar mais segurança na realização dos eventos.
Risco para o futuro das festas
O prefeito de Jequié, Zé Cocá, alertou que, caso o cenário atual continue, muitas cidades podem enfrentar dificuldades para manter as festas juninas nos próximos anos. Ele ressaltou que os custos têm aumentado de forma acelerada, o que pode comprometer a realização dos eventos.
De acordo com o gestor, despesas que antes eram consideradas acessíveis hoje se tornaram inviáveis. Ele citou como exemplo que valores que anteriormente eram suficientes para organizar um evento completo, hoje não cobrem nem parte da estrutura básica.
Valorização da cultura local
Mesmo diante dos desafios, os gestores destacaram a importância das festas juninas para a economia e a cultura da Bahia. Além disso, apontaram que o momento pode ser uma oportunidade para fortalecer o São João tradicional, valorizando artistas locais e o forró pé de serra.
O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, reforçou que a discussão não é direcionada contra artistas ou produtoras, mas sim uma tentativa de adequar os custos à realidade financeira dos municípios.
Ele destacou que os valores praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, muitas vezes desconectada dos indicadores econômicos tradicionais.
Próximos passos
A expectativa da UPB é avançar no diálogo com órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios, buscando alternativas que garantam maior transparência, equilíbrio nos gastos públicos e a continuidade dos festejos juninos.
A iniciativa visa preservar uma das manifestações culturais mais importantes da Bahia, mantendo viva a tradição do São João nas cidades do interior.



